
Sistema de esgoto tratado de Xangri-Lá deve começar a operar nesta semana
O novo sistema de esgotamento sanitário que atende Xangri-Lá e parte de Capão da Canoa está prestes a entrar em funcionamento. A Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) concedeu, no dia 14 de julho, a licença de operação para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Xangri-Lá II, construída pela Corsan Aegea. Segundo a concessionária, a previsão é iniciar o lançamento de efluentes tratados até o dia 22 de julho.
Como funciona o sistema
A estrutura é formada por um emissário (uma tubulação de 9,2 quilômetros), que liga a ETE, localizada na Estrada do Mar, até um ponto próximo à foz do Rio Tramandaí, em Osório. A obra foi concluída no ano passado e ficou aguardando a liberação ambiental para começar a operar.

De acordo com a empresa, cerca de 25 mil moradias da região devem ser atendidas pelo novo serviço de coleta e tratamento de esgoto, número estimado a partir das ligações já existentes na rede de abastecimento de água local.
O início da operação será gradual: a primeira etapa prevê o lançamento controlado de 20 litros de efluente tratado por segundo, dentro de um sistema com capacidade total para até 65 litros por segundo. A Corsan Aegea informa que fará análises periódicas da qualidade do efluente e das águas do Rio Tramandaí, com envio de relatórios à Fepam.
Um projeto ainda em discussão
O empreendimento não é consenso. Ambientalistas questionam o licenciamento e alertam para riscos de contaminação do rio Tramandaí e impactos à fauna aquática da região. Já a concessionária argumenta que o sistema atende às exigências ambientais e representa uma melhoria significativa em relação à situação atual de tratamento de esgoto na região, hoje é considerada precária.

A discussão também está na Justiça: há ações na esfera estadual e federal pedindo a suspensão das operações, e os dois processos vêm sendo acompanhados em conjunto pelos respectivos tribunais. Nesta sexta-feira (17), inclusive, houve uma vistoria técnica conduzida pela Justiça nos pontos de ligação da tubulação. Até o momento, não existe decisão judicial que impeça o início da operação autorizada pela Fepam.
Um alerta que vem de outros litorais do Brasil
Casos como o da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, costumam ser citados por ambientalistas como exemplo dos riscos de lançar esgoto em corpos d’água costeiros com baixa renovação. Décadas de despejo, boa parte sem qualquer tratamento, transformaram a baía carioca em um dos maiores símbolos de poluição hídrica do país, mesmo após sucessivas promessas de despoluição.

A comparação, porém, tem limites importantes: o volume histórico lançado na Baía de Guanabara é muito superior ao previsto para o sistema de Xangri-Lá e Capão da Canoa, e o efluente que chegará ao Rio Tramandaí passa por tratamento e monitoramento contínuo antes do lançamento.
O temor de parte dos ambientalistas locais é que Tramandaí, por também ter pouca circulação de água, fique vulnerável a impactos semelhantes caso o sistema avance para volumes maiores sem fiscalização rigorosa.
Litoral norte em expansão e sob alerta climático
O debate ganha peso adicional diante do crescimento acelerado da região. Segundo estimativas do IBGE, a população do litoral norte gaúcho passou de cerca de 421 mil para mais de 434 mil habitantes entre 2022 e 2025, um avanço puxado principalmente por cidades como Tramandaí, Imbé, Xangri-Lá e Capão da Canoa.
Alguns dos principais motivos dessa migração estão na busca por qualidade de vida, a chegada de aposentados, aumento do trabalho remoto e, mais recentemente, o receio de novos eventos climáticos extremos no estado.

Esse movimento em direção ao mar acontece justamente quando meteorologistas monitoram a formação de um possível “Super El Niño” para o segundo semestre de 2026, com risco elevado de chuvas intensas e enchentes no Sul do Brasil.
O cenário reforça a pressão sobre a infraestrutura de saneamento e drenagem das cidades litorâneas, que já vinham em ritmo acelerado de expansão populacional.
Fonte: GZH — gauchazh.clicrbs.com.br
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